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Uma Atriz de Parar Ensaio (Escrito por Fernando Caruso, interpretado por Luana Piovani, na Décima Terceira Temporada) Abre a luz, Rafael Gregório e Marcelo estão de figurino para ensaiar. Jogam conversa fora (sem piada!) entra Luana Piovani. Em algum momento um deles se toca, cutuca o outro e a conversa morre. Luana se aquece, bebe uma água, na dela. Não toma conhecimento da presença deles. Meninos embasbacados. Entra Caruso. Rafael – Cara, você não vai acreditar! A gente chegou aqui pra ensaiar e olha quem apareceu aqui do lado: a Luana Piovani!! Caruso – Eu sei, fui eu que chamei! Gregório – Chamou? Mas o quê que ela tá fazendo aqui? Caruso – Ela vai ser nossa convidada dessa semana! Rafael – Nossa convidada?? Gregório – Mas o nosso convidado não ia ser o Nelson Freitas? Caruso – Ia, mas ele não pôde por causa de uma filmagem e eu pedi pra Luana, na camaradagem, quebrar um galho. Ela foi super legal e aceitou. Alguém tem alguma objeção? Todos, imediatamente (falando ao mesmo tempo) – Não, não! De modo algum! Não! Não! Não! Imagina, ela é ótima! PAUSA. TODOS OLHAM PRA ELA. REPETEM A GAG. Não, não! Imagina mesmo! Tá tranquilo! Vai ser bom, vai ser bom! (Marcelo, na sobra, diz) Foda-se o Nelson. Caruso – Muito bem, então vamos começar o nosso ensaio. É pra aproveitar bem, que a gente tem pouco tempo de treino, ok? (indo pra ela) Luana, meu amor, muitíssimo obrigado! Luana – Imagina, amore! Estamos aí... Caruso - Bem deixa eu te apresentar os meninos, esse é o Queiroga, o Gregório e o Adnet. Pessoal, essa é a Luana (comprimentam ela de longe). Eu, você já conhece... Gregório (surpreso) – Vocês já se conheciam? Da onde? Caruso – Da onde?? Eu e a Luana somos amissíssimos! A gente já se conhece há mó tempão. Eu conheço ela, pelo menos, desde 2004, quando a gente gravou junto um especial pra Globo. (pra ela) Não foi? Luana - É, eu sou amigona do Flávio. Caruso (corrige) – Fernando. Luana – Fernando. Caruso (desconversando) – Bem, então vamos ensaiar. Vamos começar pelo básico, pelo jogo de perguntas. (pra Luana) O Jogo de Perguntas é muito simples: dois atores vão à frente, e eles começam a fazer uma cena na qual eles só podem falar através de perguntas. Errou, saiu, entra outro. Não pode afirmar. E não vale trapacear: não pode ficar respondendo disfarçadamente, tipo “eu acho que isso aqui tá caro, NÉ?”. Tem que ser pergunta mesmo, tá? Luana – Tá. Caruso – E muito cuidado com eles, que eles são rápidos, eles são sagazes, eles são escrotos. Se der mole, eles te puxam o tapete. Então pode entrar metendo o pé na porta mesmo, ok? Não dá chance pra eles não, que eles são ágeis. Luana – Pode deixar. Caruso (pros meninos) – Gente, como eu já falei, nosso tempo é curto, então o ensaio tem que render. Não quero ninguém comendo mosca não, tá? È pra cair matando, apresentando o melhor jogo! Meninos (empolgados) – Vambora! É isso aí! Pode deixar com a gente! Cair matando! Caruso – Ok. Jogo de perguntas, então num... numa boate! Vai (assume a poltrona) Luana (dançando) - E aí, gato, você vem sempre aqui? Rafael (embasbacado) – Âââ.... Mmm... Vvv.... Ah. Luana – Quer tomar um drink? Rafael – Rááá....... Zig. Mu... fe... babi..... (pros colegas) Ela me ofereceu um drink! CAMPAINHA (Rafael sai, cansado. Enquanto eles trocam de lugar, Luana pede confirmação do Caruso pra ver se está jogando direito) Rafael – Não dá cara, é muito difícil... Gregório – Ah, francamente, Rafael. Você se comportou que nem um babuíno. Tem que ter mais compostura, cara! Rafael – Você fala isso porque não foi você. Gregório – Meu querido, eu sou imune a esse tipo de coisa. Eu fiz faculdade de letras. Isso não me afeta. Quem faz faculdade de letras não fica babando por causa de mulher. Pode ficar babando por causa de um decâmero bem escrito, uma catacrese rebuscada, um hipérbato bem colocado, uma polissemia, uma anáfora, essas coisas. Estudante de Letras não fica pensando Luana – E aí, gato, você vem sempre aqui? Gregório – Hum... É... hehe... Ôrrrrr... Eu...... leio livros.... CAMPAINHA (sai) É tá foda. Marcelo – Ah, quer saber? Vocês que são um bando de frouxo. Porra, parece que nunca viram mulher na vida (Gregório levanta a mão timidamente) Tá, o Gregório tudo bem. Mas, porra! Tem que ter presença, tem que ter pegada! É só chegar chegando que não tem caô. Mulher gosta de homem com atitude. Quer ver, presta atenção. (se levanta a vai na direção dela. Antes mesmo de dizer alguma coisa, desmaia. Luana sem reação) Caruso – Gente, por favor, sem palhaçada! Vocês vão ficar de merdinha pra ensaiar, porra? Eu já falei que o tempo é curto, não tem tempo pra firula não, cacete! Rafael – Mas é que tá difícil, não é culpa nossa! Gregório – A gente tentou! Marcelo (acordando) – Aonde eu estou? Caruso – A, gente, pelo amor de deus, deixa de frescura! Todos – Frescura? Quero ver você, então! É! É fácil falar! Vai lá, gostosão! Caruso – Vou mesmo! Tão pensando o quê? Palhaçada... Alguém pega a campainha aqui pra mim. (alguém o faz. Caruso se ajeita, respira fundo) Prestem atenção. (tira uma onda de galã) Você.... vem sempre aqui? Luana (balbucia algo, tímida) – Arf... ahm.... nhé.... hihihihi.... Caruso se aproxima, e, para a tensão e surpresa de todos, tasca um beijaço – fake, infelizmente – na atriz. Todos escandalizados. Luana desmaia. Todos rodeiam-no. Todos – Caralho! Não acredito! Meu deus! Ela desmaiou! Pelo amor de deus, COMO É QUE VOCÊ CONSEGUIU FAZER ISSO??? Caruso – Muito simples: eu que escrevi a cena. (olha pra luz e diz) “Blecaute”. B.O. |