Extras

Textos do Z.É.


Camuflagem

“Camuflagem”


Escrito por Fernando Caruso, baseado em idéia de Marcius Melhem. Interpretado pelo mesmo, no último dia da Décima Terceira Temporada do Z.É. (João Caetano)


 


Personagens:


Mafor Floriano – Fernando Caruso


Capitão Aléxis Rejandre – Marcius Melhem


Soldado 1 – Marcelo Adnet


Soldado 2 – Rafael Queiroga


Soldado 3 – Pedro de Lara
(sacanagem, Gregório Duvivier)


Pelotão do exército em acampamento. Cantis, fogueira e uma barraca. Estão relaxados.


 


Major Floriano – Pelotão, sentido! (assumem posição de sentido) Equipe Charlie, Beta, Alfa!


Todos – Brasil!


Major – Descansar (abrem as pernas) Muito bem, pelotão. Chegou a hora do treinamento. Eu não touxe vocês até o meio do mato à toa. Agora vocês vão ralar. Meu pelotão não pode fazer feio frente a regência. Por isso eu descolei para vocês um treinamento especial. Trouxe até aqui um Capitão de fora do batalhão, que entende tudo de sobrevivência na selva. Portanto, não me envergonhem, hein? (prepara a entrada do Capitão) Pelotão, sentido! Senhores, esse é o Capitão Aléxis Rejandre. Combatente ativo da fronteira boliviana. Ouçam com atenção tudo que ele tem a lhes ensinar. Capitão, finja que eu não estou aqui.


Capitão – Muito obrigado, Major, mas eu estou lhe vendo. Pelotão, descansar. (anda por eles) Como vocês sabem, o Major de vocês quer que eu passe meus conhecimentos de guerrilha na selva. Para isso, precisarei fazer algumas demonstrações. Um voluntário, por favor. (alguém da um passo a frente) Você não. (vai outro) Pronto. Me abraça por trás. (soldado o faz) Isso, agora morde a minha nuca.


Soldado 1 – “Morde minha nuca”?


Capitão – Sim, morde minha nuca! As vezes o inimigo ataca na selva, mordendo logo a nuca do soldado, que é o centro nervoso do corpo humano. Mordeu a nuca, o cara larga a arma e apaga. Vocês têm que saber se desvencilhar de um ataque como esse! (soldado morde) Com força soldado. O inimigo passou meses na selva sem se alimentar! Quando ele morder sua nuca, vai ser pra arrancar pedaço. Isso! Agora enfia a língua na minha orelha.


Major – Um momento, capitão. Língua na orelha? Isso é realmente necessário?


Capitão – Sim, Major! Como não? A língua na orelha desestabiliza o oponente. Quando a mordida na nuca não funciona, o inimigo parte logo pra língua na orelha pra atacar o labirinto. Língua na orelha, o cara fica tonto, PÁ, perdeu a guerra! Quer ver, mete a língua na minha orelha. (com muito desagrado o soldado o faz, cheio de “nojinho”) Ó: alá. Já tô sentindo uns arrepios, tá vendo? Já não tô pensando direito. Agora esfrega o meu mamilo.


Major – Como assim esfrega o meu mamilo? Pra que o oponente esfregaria nosso mamilo?


Capitão – Pra gente pensar que é amigo. O campo de batalha é uma área suja, o inimigo tenta de um tudo, até cafuné. Vocês têm que estar preparados. Tem que pensar com a mente do oponente, entendeu?


Major – Sim, bem, mas nós já vimos o ataque, que você mostrou com tanto... entusiasmo. Agora mostre-nos como é a defesa.


Capitão – Muito simples, primeiro eu pego no seu pau...


Soldado – Major!


Major – Capitão!


Capitão – Oquê que é? O quê que é?


Major – Acho melhor passarmos para o próximo treinamento.


Capitão – Mas esse é rapidinho! Quer ver? (pro soldado) Dá seu pau aqui...


Major – Não, capitão, acho melhor não. Vamos passar para o próximo, por favor.


Capitão – Tudo bem. Esse eu te mostro depois. Bem vamos fazer um exercício coletivo, então. Primeiro, todo mundo estica os braços e respira... (todos o fazem) agora entra todo mundo na minha barraca!


Soldado 2 – Como assim?


Capitão – Ás vezes, soldado, numa guerra, não temos acomodações de luxo. Ás vezes a gente tem que se apertar, pra caber todo mundo na mesma barraca. Mesmo porque, se o inimigo está passeando e encontra aquele bando de barraca dando sopa, parecendo uma aldeia dos Smurfs, ele vai e mata todo mundo. Uma barraca só é mais fácil de camuflar. Todo mundo na minha barraca, anda!


Major – Mas capitão, meus homens não vão caber na sua barraca.


Capitão – Tem razão. (P) É melhor tirar a roupa.


Major – Não adianta, Capitão. Eles continuarão não cabendo.


Capitão – (P) Então é melhor passar um óleo em todo mundo, me ajuda aqui soldado (tira um vidro de óleo da farda).


Major – Olha, eu falho em ver a finalidade desse exercício. Vamos passar para o próximo mais uma vez.


Capitão – De novo? Daqui há pouco a gente vai passar para parte em que eu vou embora!


Major – Eu estou começando a considerar essa possibilidade.


Capitão – Tudo bem! Vamos para o próximo exercício, então. (PAUSA) Beijo de língua. (Gregório se prontifica a ir, mas é barrado por outro soldado)


Major – Beijo de língua? Pelo amor de deus, Capitão! Qual a relevância disso para o treinamento na selva?


Capitão – Nenhuma. (T) Mas eu acho gostoso. (gregório repete a gag)


Major – Francamente, Capitão, ninguém vai dar beijo de língua aqui. Pelotão, dispensados. Podem ir embora. Retomaremos o treinamento amanhã, com exercícios mais apropriados. Voltem para suas barracas. (saem. P/ Capitão) Capitão Aléxis. Como o senhor tem a audácia, a coragem, de vir até o meio de uma selva sem fim, se apresentar frente ao meu pelotão e exigir um beijo de língua de um de meus soldados.... NA MINHA FRENTE? Você acha que eu não tenho sentimentos???


Capitão – Ah, Floriano, vai começar de ciúmes agora? Eu estou trabalhando (saindo)


Major – Trabalhando?? Eu te conheço, Aléxis! Você não me engana! A língua na orelha fui eu que te ensinei!


Capitão – E muito mal por sinal.... (saem discutindo)


Fim.

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