Extras Textos do Z.É. |
Chapeuzinho Vermelho Musica de programa de TV bem espetacular, tipo Behind The Band ou Por trás da Fama. Um sujeito começa a apresentar um programa com ar de Globo Repórter. Apresentador – Celebridades. Astros. Estrelas. Gente que brilha que nem porpurina. Desde os primórdios, a fama chama atenção do homem. Afinal, por que um Neanderthal das cavernas largaria o conforto do seu lar para matar um mamute, se não fosse para aparecer na TV Tupi? Em qualquer canto do planeta, em qualquer esquina de qualquer continente (talvez não em Brasília, que aquela merda nem esquina tem), o bicho-homem só tem um pensamento fixo em sua cabeça do momento em que põe os pés no mundo até o seu último suspiro de sua vida: aparecer no Vídeo Show. Ou no Vídeo Show ou no Globo Cidade, acenando no fundo (entram pessoas e começam a acenar no fundo por um instante e saem). Mas o que está por trás da fama? Qual a verdadeira história que nunca foi contada? Cadê o meu queijo? As respostas para algumas dessas perguntas você encontra aqui, no nosso programa, Por Trás da Fama. (atravessa o palco para o outro foco, acompanhado de uma vinheta musical) Apresentador – Hoje vamos analisar a verdadeira história por trás de uma das maiores celebridades de nossas vidas. Ela mesma. Chapeuzinho Vermelho (ela entra, sorridente, e se prosta ao seu lado, ainda sorridente). Chapeuzinho vermelho sempre foi muito reverenciada. Até hoje, suas iniciais são vistas pichadas nas ruas e nas favelas, demonstrando o apreço que a população ainda tem por ela (Chapeuzinho, ainda sorridente, faz o sinal CV com as mãos, igual aos traficantes do Comando Vermelho) Algumas grandes companhias telefônicas a reverenciam apenas pelo sobrenome (desfaz o CV e faz o sinal >, de play, da Vivo, com cara de modelo). Mas o que nem as grandes companhias telefônicas, nem os traficantes assassinos do morro sabem, é que Chapeuzinho nem sempre foi esse doce de pessoa. Nascida Ana Lúcia Soares, Chapeuzinho mudou seu nome para Chapéu depois de consultar uma numeróloga. Logo em seguida ganhou de seus amigos o apelido de Vermelho não pelo capuz que ela usava, e sim porque era conhecida por estar sempre “naqueles dias”. (Chapeuzinho desfaz o sorriso) Seu mau-humor era notório. Vamos agora, então, observar como se passou a verdadeira história de Chapeuzinho Vermelho. (Entra vinheta de início de fábula) Mãe – Chapeuzinho querida, preciso que você leve esses doces para sua avozinha. Mas é importante que você não pegue o atalho e siga pelo caminha mais longo Chapéu (cortando e tirando a cesta da mão dela) – Ah se fudê! (indo embora resmungando) Eu vou por onde eu quiser, cacete, eu hein, me escolher caminho! Lobo – Olá, o que você carrega na sua... Chapéu – Ah, se fudê, você também! (mita com deboche) “Olá, o que você carrega na sua cesta blébléblé?” Vai ver se eu to na esquina, ô palhaço! Lobo (desconcertado) – Mas peraí... Chapéu - (tira um Spray de pimenta da cesta e lhe acerta os olhos) Não encosta em mim! Eu, hein! Malandro... (lobo cai no chão se contorcendo e chorando, Chapéu segue seu caminho resmungando até chegar a casa da sua vó. Faz mímica de chutar a porta) Aqui, ó, os doce! (joga cesta na avó) Vó – Mas minha netinha... Chapéu (grita, desnecessariamente) – Não enche o saco! Ah se fudê... (volta pra casa) Caralho, tem que ficar andando, que saco (passa pelo lobo, que se contorce de medo quando ela passa.Chega em casa, sua mãe está na poltrona) Mãe – Ô minha filha, sua vó estava... Chapéu – Sai da minha cadeira!!! Ah, se fudê! (senta e começa assistir TV, mal humorada) Saco, só passa coisa ruim na TV. Não quero ver Saia Justa.... Apresentador – E essa foi a verdadeira história de Chapeuzinho Vermelho. Não perca na semana que vêm, Narcolepsia - a Verdadeira História da Bela Adormecida. Eu sou Sidney Portier e esse foi o Por Trás da Fama. Tenham todos uma boa noite. (Sai) Entra o caçador, com um indumentária impecável de caçador. Caçador – Mas peraí, é isso? E eu? Eu não faço nada nessa história? Como assim? Alôu? Alguém? Entra Chapéu e lhe atira Spray de Pimenta nos olhos. Chapéu (saindo) – Ah, pra casa do caralho... Caçador, no chão, chora e se contorce. FIM. |